Workflow 16 de setembro de 2026

PVsyst e PVX.Cad: o que cada um faz e como a exportação conecta os dois

O PVsyst simula a geração. O PVX.Cad projeta a usina que vai ser construída. A exportação PVCollada 2.0 corrigida pelo terreno liga as duas pontas.

Se você pesquisou PVsyst e caiu aqui, comece pela parte que não está em discussão: o PVsyst é o padrão desde 1992, a ferramenta que bancos e engenheiros independentes esperam antes do fechamento financeiro.

A pergunta que vale é mais estreita. O PVsyst simula quanta energia uma usina solar (em Portugal, central fotovoltaica) vai gerar. Outra coisa precisa decidir como ela se apoia em terreno real: onde ficam as fileiras, quanta terra se move, qual o comprimento de cada estaca, por onde passa o cabo. Esse trabalho vem antes da simulação e define se a usina simulada é a usina que dá para construir.

O assunto aqui é geração centralizada, usina de grande porte em solo, não geração distribuída em telhado. Existe também a versão em inglês.

O que o PVsyst faz bem

O PVsyst é o simulador de geração de referência. Motor de sombreamento, cadeia de perdas e base meteorológica foram validados em milhares de projetos. Ele entrega sombreamento próximo e de horizonte, diagrama de perdas, performance ratio e as probabilidades P50 e P90 que os bancos leem. Traz também VPL, TIR, LCOE, ROI e payback, e desde o fim de 2025 simula o comportamento de baterias: autoconsumo, peak shaving e deslocamento de carga. Tem nota 4,5 de 5 no G2.

Se o seu projeto precisa de um relatório de geração aceito pelo financiador, você precisa do PVsyst. Não existe substituto.

O que o PVsyst nunca foi feito para fazer

O PVsyst é uma ferramenta de simulação, não de projeto. Ele não otimiza um layout (arranjo) contra o terreno. Não compara abordagens de terraplenagem nem estima volumes de corte e aterro. Não roteia cabo nem calcula queda de tensão por string. Não dimensiona estacas contra o solo. Não gera desenhos de construção.

O atrito aparece no construtor de cena 3D. Em terreno de usina fotovoltaica de grande porte, as equipes esbarram nos mesmos problemas, documentados nos fóruns de suporte do PVsyst:

  • Limite de memória. Modelos 3D acima de 1 GB ou de 500 000 vértices travam o PVsyst com frequência, e terreno detalhado de um sítio grande passa disso com facilidade.
  • Decimação forçada. Para caber no limite, o usuário simplifica fotogrametria e nuvem de pontos, e joga fora o detalhe que justificou o voo do levantamento.
  • Orientação errada na importação. DAE e 3DS não carregam metadados fotovoltaicos, então o PVsyst depende de atribuição manual de faces. Mesas em retrato aparecem onde se queria paisagem, e em versões recentes isso vira erro duro que bloqueia a simulação bifacial.
  • Retrabalho manual. Corrigir mesa por mesa faz objetos passearem pela cena, e recalibrar custa horas.

Nada disso é motivo para abandonar o PVsyst, e sim para parar de pedir a ele que monte a cena do terreno.

O que o PVX.Cad faz antes do PVsyst

O PVX.Cad roda dentro do AutoCAD, na sua máquina, na resolução cheia do terreno, com o levantamento no formato que você já tem: KML e KMZ, nuvens LAS e LAZ, CSV ou curvas de nível. Sem decimação, sem teto de vértices.

Dessa superfície saem as decisões que o PVsyst nunca vê:

  • Declividade direcional e solo em 7 níveis de dureza, com a rocha no desenho antes de a escavadeira chegar.
  • Três caminhos de terraplenagem, cada um com volumes de corte e aterro. Um sítio com 44% de rocha dura e declividades de até 45% foi terraplenado de três maneiras. A abordagem escolhida reduziu o movimento de terra de 118 225 m³ para 34 819 m³, 70% menos, o equivalente a 727 000 USD.
  • Comprimento de estacas contra a superfície real, em CSV de cravação de estacas ou planilha de compras com fórmulas vivas (Inputs, Pile Schedule, BoQ, Procurement).
  • Análise de colisão, que confere cada mesa contra o terreno em que ela se apoia e refaz a terraplenagem das fileiras reprovadas como uma única superfície contínua e construtível, com o menor corte e aterro possível.
  • Roteamento automático de cabeamento CC com queda de tensão por string, nas topologias Line, U e Leapfrog. Em uma usina de 130 MWp, a escolha de topologia valeu 430 000 USD e 14% menos cabo.
  • O resto do pacote: diagrama unifilar, BoQ em quatro planilhas, layout de BESS, estradas internas, controle de erosão e um Design Health Check antes de o desenho sair.

Módulos e inversores entram pelos mesmos arquivos PAN e OND do PVsyst, e o dimensionamento de strings é conferido contra as regras dele antes da exportação. Veja terraplenagem e movimento de terra e projeto de usina solar.

A exportação: PVCollada 2.0 corrigida pelo terreno

A passagem de bastão é uma exportação PVCollada 2.0, um .pvc2 que o PVsyst importa nativamente: hierarquia elétrica completa (transformadores, string boxes, inversores, cabeamento), corpos 3D posicionados, limite do projeto, malha do terreno e objetos de sombreamento. Mesas leste-oeste saem como duas faces fixas. Módulo e inversor viajam com a geometria: bifacialidade, coeficientes de temperatura, topologia de célula, eficiência do inversor. O arquivo sai sempre em metros.

Dois detalhes fazem o trabalho pesado.

Os equipamentos são assentados sobre o terreno. Cada mesa fica na cota que o solo dá a ela, então a cena de sombreamento simulada é a cena que o sítio vai apresentar. O PVsyst reconhece sozinho as mesas de tracker solar (rastreador solar) como objetos de rastreamento. Não há atribuição de faces, nem conciliação de orientação, nem cena para remontar.

O terreno sai separado, em duas variantes. O PVX.Cad escreve a superfície 3D em CSV compatível com o PVsyst, antes e depois da terraplenagem. A primeira é o solo como foi levantado; a segunda é o que o seu plano de corte e aterro vai deixar, e é essa que importa, porque é a superfície sobre a qual a usina vai ficar. Simular o terreno pré-terraplenagem de um sítio do qual você vai tirar 34 819 m³ dá um número para uma usina que ninguém vai construir.

A importação muda conforme o formato: o PVC 2.0 entra como está, sem rotação, e o clássico PVCollada 1.x em .dae exige X, Y e Z em zero e uma rotação de 180 graus em torno da origem. Nos dois casos, escolha não apagar a cena atual e confirme. O detalhe está na página de integração com o PVsyst.

Um fluxo que roda igual em qualquer mercado

Nada disso é regional. A exportação se comporta igual no Brasil, em Portugal, na Espanha, na Turquia ou na Índia: mesmo .pvc2, mesma geometria assentada, mesmo CSV de terreno antes e depois, mesmos dados de PAN e OND. A prática local muda o vocabulário do desenho, não a passagem de bastão.

O que cada ferramenta entrega, e para quem

TarefaFerramentaSaída
Terreno, declividade, soloPVX.CadSuperfície classificada no AutoCAD
TerraplenagemPVX.CadTrês abordagens com corte e aterro
FundaçõesPVX.CadCSV de cravação de estacas, planilha de compras
Layout e colisãoPVX.CadPosições construtíveis, relatório de achados
Cabeamento CCPVX.CadRotas por topologia, queda de tensão por string
SuprimentosPVX.CadDiagrama unifilar, BoQ em quatro planilhas
Entrega da cenaPVX.CadPVCollada 2.0 .pvc2, CSV de terreno
Simulação de geraçãoPVsystDiagrama de perdas, performance ratio, yield
Relatório para financiamentoPVsystProbabilidades P50 e P90
Revisão com o clientePVX.View3D no navegador, sem instalação

Perguntas frequentes

O PVX.Cad substitui o PVsyst?

Não. O PVsyst segue como o padrão de bancabilidade exigido pelos financiadores. O PVX.Cad faz o terreno, a terraplenagem, as estacas, o cabeamento e a documentação que vêm antes, e exporta o resultado em PVCollada para o PVsyst simular.

O que uma exportação PVCollada 2.0 contém?

Um .pvc2 com a hierarquia elétrica completa, os corpos 3D posicionados, o limite do projeto, a malha do terreno e os objetos de sombreamento. Mesas leste-oeste saem como duas faces fixas, módulo e inversor viajam junto (bifacialidade, coeficientes de temperatura, topologia de célula, eficiência) e o arquivo sai sempre em metros.

O PVX.Cad consegue mandar a superfície já terraplenada para o PVsyst, e não só o terreno original?

Sim. O PVX.Cad exporta a superfície 3D em CSV compatível com o PVsyst, antes e depois da terraplenagem: o terreno de hoje ou o que o seu plano de corte e aterro vai deixar.

Como importo o arquivo no PVsyst?

O PVC 2.0 importa como está, sem rotação. O clássico PVCollada 1.x em .dae exige X, Y e Z em zero e uma rotação de 180 graus em torno da origem. Nos dois casos, escolha não apagar a cena atual e confirme.

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